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quarta-feira, 22 de novembro de 2023

PSD desmascarado pelo seu deputado europeu

Que sentimento se pode sentir quando um português, deputado europeu da ala direita, se intromete a discursar numa manifestação a favor da direita onde se inclui o Vox (pois é este a governar, que os fascistas têm por objetivo), o tal partido que tem como horizonte quando estiver no poder, conquistar Portugal? De onde já veio a ideia de que a água do Alqueva deva servir a Andaluzia.

Se este político perfilar a ideia do nosso nobel da literatura, brilhantemente ficcionada na "Jangada De Pedra", de que a Península Ibérica poderia ser um continente, então percebe-se a colagem. Agora se pelo contrário, vem com falso patriotismo e renega a verdadeira história de que séculos atrás os castelhanos tiveram que optar em concentrar forças para não perder a Catalunha, ainda por cima com o inimigo ocidental a ter forte apoio inglês, é porque já sabe que o PSD se vai colocar à extrema direita como aconteceu nos Açores.

A vantagem que a democracia tem em deixar que exista um partido de extrema direita, é saber-se onde param os fascistas, porque dos comunistas sempre se soube. Diga-se de passagem que o maior contributo do professor Freitas do Amaral foi precisamente pacificar os salazaristas num partido, de forma a acabar com bombistas. 

domingo, 8 de novembro de 2015

Eleições, passados quatro anos a fraude contínua

Quando o povo se dirige às urnas com a intenção de usar a única arma que possui para mudar o estado de coisas e depois chega à conclusão de que os mais votados não formam governo, que outra atitude poderá tomar a não ser borrifar-se para os partidos.
Há quatro anos aconteceu precisamente a mesma coisa. Um partido com apenas 13% dos votos foi impor a sua vontade nos desígnios do país e o seu líder ainda fez uma birra (irrevogável) com a chantagem para ser promovido a vice, acabando o zé povinho por pagar isto tudo.
Agora somos levados a crer, que vamos estar sujeitos a uma viragem à esquerda, quando a maioria dos cidadãos o que quer é um governo ao centro tal como já queria em 2011, defraudando agora o PS muitos indecisos que nele votaram, que caso adivinhassem esta colagem à CDU e ao BE, nunca lhe teriam dado o voto.
Desta vez a abstenção nas legislativas bateu o seu recorde, mas atendendo à vitória da coligação PAF, pergunta-se em que parte do planeta andaram a viver os que lá foram votar? Passou-lhes ao lado todos os cortes desde salários, pensões e até feriados? A TV a ser retirada em zonas desfavorecidas com a burla da TDT, que só serviu para encher os bolsos a operadores da televisão por cabo ou satélite. A juntar a isto, o sempre habitual aumento de impostos mais o brutal aumento das rendas de casa, com a agravante de serem enganados (aqueles que se deixaram ir na conversa) de que nada aumentariam ou cortariam, quando o afirmaram na campanha eleitoral e nos frente a frente. Distraíram-se estes eleitores para não darem conta que nestes últimos quatro anos aos mais necessitados lhes foi dificultado o acesso à justiça, educação e saúde onde até alguns idosos foram deixados a morrer nas urgências dos hospitais. Tudo isto em nome da redução de uma dívida que não pára de aumentar resultando daí uma pior distribuição da riqueza, tendo crescido o número de pobres e os ricos a ficarem mais ricos.

Caminhamos para mais umas eleições a seguir às presidenciais do ano que vem, mas se estes políticos não ligam ao que o povo quer, desprezando a sua vontade para um entendimento entre os dois partidos mais votados, não vai causar espanto que a percentagem da abstenção aumente e o PS a pagar pelos tiros que não pára de dar nos pés.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Esquerda unida, uma utopia

O órgão do corpo humano a que chamamos cérebro, pelo instinto que tem na maior parte dos seres humanos, em agarrar ou pontapear as coisas com um dos lados, se convencionou ser esse o lado direito ou o correto.
Daí, por norma tudo o que designamos por bom ou que tenha primazia, está conotado com a direita. Há exemplos disso: uma rapariga ou rapaz às direitas; a honra de alguém que se senta à direita; a melhor margem e mais importante dos rios da nascente para poente, é a direita.
As margens esquerda são então povoadas por uma população descontente ou mesmo banida, que se pretende opor ao domínio a que está sujeita, pelos poderosos estabelecidos da direita. É natural que pela esquerda nasçam as revoluções, as inovações, enfim as mudanças, por ser contra o marasmo do poder estabelecido. Esta é uma das fortes razões pela qual a esquerda raramente é unida, porque há sempre quem esteja descontente e em revolta na busca de uma igualdade nos seres humanos que nunca acontecerá. Não é em vão que se costuma dizer que somos todos iguais, mas há uns mais iguais que outros.
Por vezes dou comigo a pensar porque sou de esquerda e as mais elementares formas de estar e pensar a vida, assim me denunciam e julgo que não é pelo fato de ser canhoto. Muita gente muda o seu lado ideológico e até mesmo de religião, mas perante este descalabro esquerdista que começou pela falta de um candidato forte permitindo a reeleição de Cavaco Silva, eu não reajo, seguindo da mesma maneira como se de um clube de futebol tratasse. Está no meu sangue e a mudança só poderia ser uma atitude falsa para comigo e para com os outros.

domingo, 28 de setembro de 2014

PS à deriva e com ele a esquerda


Quando com a ida de Durão Barroso para a presidência da Comissão Europeia o PSD ficou órfão de um secretário geral, não foi fácil reunir um forte consenso para a sua substituição e muitos tiros foram dados nos pés pelos sucessivos candidatos. Todavia, na direita existe um forte apoio do grande capital que se pode dar ao luxo desses desentendimentos porque lhes é fácil pagar a propaganda para popularizar novos dirigentes. Daí, se formos procurar possíveis candidatos nessa área política à nova eleição para a presidência da republica encontramos muitas figuras com perfil para o cargo, até mesmo, se necessário, a imagem de Paulo Portas seria trabalhada para tal.

À esquerda o comportamento é diferente a começar pela falta de união dos vários agentes partidários, pelo que as más decisões têm consequências desastrosas para a imagem dos poucos dirigentes que possam reunir as melhores condições para uma candidatura ao lugar máximo responsável dos destinos do país. Um nome perfilava no horizonte que poderia seguir os mesmos passos de Jorge Sampaio, só que a sede do poder falou mais alto e António Costa não resistiu a disparar o tal malfadado tiro torto. Justificou-se para artilhar a arma, com o argumento de que António José Seguro não tinha conseguido demonstrar que aquando das eleições de 2015 venha a conseguir uma maioria necessária para chefiar a governação. Essa sede, mesmo que nestas últimas eleições a esquerda tenha infligido uma pesada derrota à direita, impediu ver que a abstenção foi e será grande, assim como os votos atribuídos a Marinho e Pinto. O resultado desta ânsia de poder para ser secretário geral, na altura das presidenciais (o tempo passa a correr) perfilar-se-ão três Antónios queimados, um abandonou a governação e os outros dois dificilmente se irão entender, juntando-se a eles um Sócrates que perante as dificuldades foi para França, pelo que se prevê mais cinco (por norma dez) anos de um presidente da república comutado com a direita.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Costa da Caparica, os milhões de € deitados ao mar

Desde a adesão ao euro que a maior parte de nós, ou como mais vulgarmente antigamente se dizia, o povo, já sentiu (ou anda a sentir) na pele o custo das tais percentagens de comparticipação nas obras para o nosso suposto desenvolvimento. Muitas delas de utilidade duvidosa, tais como autoestradas com pouca utilização, e a construção dos 10 (DEZ) estádios para a realização do europeu de futebol de 2004, mas há outras positivas tais como o avanço de alguns programas polis e outras requalificações que nos dão um certo orgulho. Não é o caso da  Costa de Caparica que entre várias barbaridades teve o condão de afastar o terminal do ex-libris da cidade,  o Transpraia (comboio), para fora do centro em prejuízo do comércio local.
Recentemente ao passear pelo paredão à beira mar, dou conta de uns cartazes a justificarem os trabalhos nas praias e neles para além dos prazos para a sua realização, se lê os custos com a tal comparticipação europeia a cem por cento (aguenta Zé): 5 milhões de euros para a reposição de areias e mais 450 mil euros para o reordenamento do território. Perante isto que vai ser dinheiro deitado ao mar, porque a juntar ao lento aumento do nível do mar há invernos cada vez mais rigorosos, que não perdoam acabando por levar a areia, o que dirão por exemplo as populações de Ferreira do Alentejo e da Lousã. As primeiras devido à suspensão das obras do projeto de ligação do IP8 à A26, ficaram com mamarrachos de viadutos inacabados que não vão dar a lado nenhum e ainda por cima com as antigas vias de comunicação a esburacar. Às segundas prometeram a instalação do Metro Mondego e para isso também fizeram mexidas no terreno que não avançaram, com a agravante de terem retirado a linha de comboio que tinham.
Se o sistema eleitoral não tivesse feito para dar tachos a quem pulula pelos partidos, mas sim a eleger reais representantes locais, muitas contas tinham estes que prestar a quem neles votou e talvez tivessem vergonha na cara para se esforçarem a proteger e defender a terra à qual supostamente pertencem.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

A fragilização de uma democracia

Não deixa de ser curioso, que o governo esteja a tentar fazer o que a Manuela Ferreira Leite importante figura do PSD dizia há poucos anos atrás, que deveria haver por um determinado(?) período de tempo, uma interrupção da democracia e realmente para esta não se augura nada de bom. Estamos entregues a um governo que não cumpre a Constituição e igual atitude tem o Presidente da República mais um tribunal constituicional que parece não ter meios para conseguir fazer com que a cumpram. Uma percentagem acima de 60% de eleitores que se estão borrifando para a democracia e o maior partido da oposição numa luta pela sucessão que equivalia no tempo do império romano a um António José Seguro com um punhal espetado nas costas (é curiosa a semelhança do seu cabelo encaracolado com o de então, só lhe falta uma túnica).
É este o cocktail explosivo que tem por costume provocar a intervenção dos militares e quando a fazem é precisamente em nome da defesa da Constituição, só que essa intromissão se inclina sempre para salvaguardar os seus próprios interesses e daqueles donos do capital que possuem o dinheiro para os satisfazer.
Revolução de cravos feita por milicianos fartos de estarem sujeitos a morrer em África, não haverá mais.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Facebook, para o bem e para o mal

Tal como o anjinho e o diabinho que temos em cima de cada ombro, assim é o Facebook. Um dos lados positivo, é ver a evolução daqueles que passados tantos anos num contato praticamente diário connosco, nos fazem agora passar pela mente filmes curiosos sobre a importância que dávamos às situações de então. Por outro lado e de forma negativa, é a maior parte dos utilizadores lá escrever como se tivesse a pegar num megafone ou num microfone ligado a um amplificador e a dirigir-se a uma sala ou até mesmo um pavilhão cheio de amigos. Raramente isso nos acontece, salvo algumas ocasiões especiais tais como casamentos, batizados ou almoços de confraternização e nessas situações ninguém se lembra de estar a dizer pela boca fora opiniões politicas, religiosas ou futebolísticas. Se por acaso isso acontece, nós estamos normalmente em salas de convívio, cafés ou mesmo no local de trabalho cara à cara com as pessoas e ou acham piada e respondem a bem, ou não acham e se arreliam respondendo mal e neste momento surgem os grupos cada um com a sua opinião apoiando aqueles com quem mais concordam e até por vezes aparecem outros que se juntam a ajudar a encontrar convergências de ideias. Não é à toa que o Facebook tem a ferramenta dos grupos, para que desta forma se possam expressar os pontos de vista que têm em comum sem estarem a ofender por vezes involuntariamente outros que também são amigos. Uma grande percentagem dos jovens apresenta um grande desinteresse por este meio de comunicação por se acharem controlados naquilo que dizem ou fazem, esquecendo-se que têm para seu uso processos para canalizar o seu modo de pensar e estar, para quem bem entenderem.
Cá por mim prefiro escrever no Blog, porque descrevo através de um prisma um olhar pela vida e que passados uns anos acharei graça em reler e talvez, quem sabe,  possa reparar que olhei pela face errada. Além disso, só procura os textos quem se sinta de alguma forma identificado com o que leem, mesmo que não seja totalmente.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

A força do dinheiro na propaganda a favor de quem o tem

Entre muitos outros, abaixo está um exemplo (Abr11) de quem é pago para servir o grande capital. Curiosamente numa página que presentemente é usada pelo Santana Lopes para só dizer mal dos adversários políticos e bem do atual governo, assim como do presidente da república. Mais estranho foi a quem o anterior líder do BE andou a favorecer, para depois de ter atingido o objetivo de ao lado da direita ter mandado o governo a baixo, abandonar a assembleia, como se tudo depois tivesse melhorado. Houve ainda outros a meteram a viola no saco, tais como Os Homens da Luta (estes até à Eurovisão foram) ou a Manuela Moura Guedes que também acharam que tudo foi para melhor.
Afinal malucos com certeza que não são eles não, porque sabem muito bem quem são aqueles que os beneficiam.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Paulo Portas com 13% de votos, toma conta do poder

Para quem tinha dúvidas que o chumbo do PEC4 teve como único objetivo o assalto ao poder por parte da direita, perdeu-as agora com este amuo dos líderes da coligação, todos se marimbando para a estabilidade do país. São dois irresponsáveis que se comportam como dois galos na mesma capoeira lesando a respeitabilidade do país nas suas graves decisões e depois ponderando voltar atrás. Para quê ir às urnas?
Durou dois anos, ( ou talvez o martírio ainda dure mais tempo), o período durante o qual o que fizeram foi dar cabo das regalias dos mais desfavorecidos ao ponto de atropelarem a Constituição. Desde algumas semanas atrás, que Vítor Gaspar estava para sair do governo, não se compreendendo como durante esse período de tempo, não foi achado de forma consensual o substituto para uma pasta tão importante.
Mas a esquerda tem muita culpa nisto, pois nunca conseguiu apresentar um candidato presidencial forte e então o Cavaco ter ganho este segundo mandato, foi por demais. Após a ditadura fascista nunca ninguém para além do Alberto João que por acaso é do mesmo partido, teve mais tempo no poder do que este politico: dez anos de governo quatro dos quais com maioria absoluta, e proximamente completa oito como presidente da republica.
Dezoito anos a esCAVACar este cantinho à beira mar plantado, é obra em plena democracia!

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Roubo de dias de descanso, o impensável aconteceu

Infelizmente para quem trabalha por conta de outrem, hoje é um dia histórico e pela pior razão.

Assinala-se o primeiro feriado roubado e ainda por cima religioso. Mais uma vez se vem a provar que a igreja está ao serviço do grande capital, repetindo a complacência que teve ao facilitar que os trabalhadores do comércio tenham de trabalhar ao domingo. O tal dia de descanso no qual a doutrina cristã instruí a que a família devia fazer todos os possíveis para ter um almoço junta após a missa matinal, é usado para beneficiar aqueles que engrossam a estatística de um dos países da Europa que mais carros de luxo vende.
São medidas a avulso que nada fazem para travar o desemprego, pelo contrário só tem servido para explorar ainda mais aqueles que se agarram com unhas e dentes ao precário trabalho que têm, em detrimento da criação de postos de trabalho. Se o modelo a seguir é o asiático, então assumam, não andem para aí com lágrimas de crocodilo a apregoar falsas caridades pois de boas intenções está o inferno cheio.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Europa a caminho da desunião


Quando eu em julho de 2008 aqui escrevi sobre o desenfreado aumento do desemprego, estava longe de imaginar até tão baixo podia descer a qualidade de vida do povo trabalhador que até quatro feriados lhe tiraram e pior ainda, a do ex-trabalhador que foi empurrado para o desemprego.
Quando se fala da falência da segurança social, para qualquer comum dos mortais é fácil perceber que têm sido as gerações mais novas, que com parte dos descontos sobre a receita dos seus proveitos, vão amparando os mais velhos e por sua vez quando chegarem à velhice, os jovens seguintes descontaram para eles. É lógico, algures no tempo, quando o sistema começou nunca podia ser o contrário, o que deita por terra essa teoria de que andámos a descontar para nós próprios (quem nos socorreria se ficássemos incapacitados para prosseguir os normais descontos), senão a primeiríssima geração de velhos tinha sido deixada a morrer à fome, apesar de ser verdade que a vida desses antepassados foi sempre de grande miséria. Ainda a contribuir mais para a mingua destes recursos, o sistema é constantemente alvo de burlas que atingem milhões de euros e os seus autores quando são apanhados, nunca levam castigos exemplares.
A classe trabalhadora por todo o mundo está a ser lançada no desemprego, nuns sítios de forma mais lenta do que em outros, mas é como uma epidemia a manifestar-se por escaramuças que vão gradualmente aumentando e assim a não ser encontrada uma solução para este estado de coisas, não demorará muito a haver um protesto para um desentendimento generalizado, que começará pelo abandono dos países da união europeia, a qual de união não terá nada. Foi o que deu a globalização com a entrada de produtos mais baratos vindos de países que não respeitam ao mínimo os direitos dos homens ou crianças, conseguindo por via disso uma mão de obra mais barata, algo plenamente demonstrado por um documentário francês sobre a comparação dos métodos de trabalho de duas fábricas de peúgas, uma em França e outra na China.
No século passado havia uma guerra denominada de fria, em que as várias forças estavam controladas e sabia-se por onde podia desencadear um conflito, tendo as duas grandes potências o chamado telefone vermelho para casos de alerta serem esclarecidos entre si de forma rápida. E agora neste descontrolo de forças, quantos telefones vermelhos iram ser precisos?

quinta-feira, 22 de março de 2012

Transportes, um serviço público

Foi com certa nostalgia que na Trafaria me pus a olhar para o edifício agora degradado da que foi a antiga empresa de transportes Piedense. Lá ainda se lê “Empresa de Camionetes Piedense Lda” e à parte de cima do que foi uma das garagens, mora uma família num apartamento. É curioso que havia uma garagem filial no centro de Almada e a sede não ter sido colocada na Costa da Caparica. Julgo que tenha a ver com a força de trabalho na altura estar muito centralizada na Piedade, zona fabril por excelência e ribeirinha tal como a Trafaria, sendo a Costa na altura um ponto muito afastado de pouca gente, sobretudo pescadores, não havendo a moda da praia.
A força de trabalho estava presente e as empresas estavam lá para as movimentar de forma a que todos fossem servidos. Agora que as pessoas perdem os empregos e por isso deixam de ter que se deslocar, é natural que os transportes públicos tenham menos passageiros e por isso menos receita, além do aumento brutal do preço dos combustíveis. Ainda por cima esta situação, tem a agravante da mentalidade do empresário ganancioso, que sempre apresentou má qualidade nos transportes com o lema de quanto mais abarrote de gente, maior é o lucro. Presentemente o Metro reduziu as carruagens e veja-se por exemplo a linha verde, que às horas de ponta os passageiros vão que nem sardinha em lata. Na ótica de fazer molhadas de pessoas, cortam-se percursos aqui e acolá para as rentabilizar, só que as pessoas lentamente desmobilizam e procuram outras alternativas levando a que as carreiras simplesmente sejam extintas. Por este andar os barcos das ligações fluviais no Tejo, passaram só a ser de recreio para turistas. Para que não tenhamos cá aqueles meios de transporte que vemos nas imagens que vêm de África ou Índia onde as pessoas andam penduradas ou metidas em carrinhas de segurança duvidosa, tem que se fazer um estudo inteligente sobre o melhor aproveitamento dos transportes adaptando-os às necessidades do contribuinte.
Tanto os bilhetes como os passes, por dá cá aquela palha estão sempre a aumentar, agora o que é preciso é que ainda por cima as pessoas não fiquem pior servidas e para isso a reformulação das carreiras tem que de ser feita, levando tal em linha de conta. Provavelmente há pontos nas cidades por onde as pessoas se deslocam, que sejam mais abrangentes e sirvam como plataformas para receberem potenciais passageiros de outros locais mais dispersos. E é nesses locais sem trazer mais custos, que os ainda poucos trabalhadores ou reformados devem ser recolhidos e trazidos para interfaces com mais gente. Se o comboio da ponte sobre o Tejo ainda mais contribuiu para a pouca adesão aos barcos e as carreiras tiveram que ser reduzidas, então os autocarros e o MTS têm que derivar o transporte para a estação do Pragal, onde por sua vez a Fertagus tem cais disponíveis com linhas para iniciar um desdobramento nas horas de ponta de forma a que os utentes não sejam entalados com aqueles que já vêm de Setúbal, de Amora e de Corroios. É para a procura de boas soluções que é preciso o cérebro capaz de engenheiros ou doutores, que venham para o terreno analisar o problema de forma a não se limitarem a cortar horários e carreiras, refastelados nas suas poltronas prejudicando o cidadão comum.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Imposto Especial para Todos

Há uns quarenta anos havia descontos para a Caixa de Previdência, Fundo de Desemprego, Imposto Profissional e para nosso espanto no final do ano, quando parecia terem-nos sacado já o suficiente em impostos, aparecia o chamado Imposto Complementar. Dizia-se à boca fechada que era para fazer face ao esforço de guerra no Ultramar, assim o mesmo se disse quando mais tarde apareceu o Imposto de Circulação para quem tinha automóvel. Passados anos o Fundo de Desemprego foi incluído na Caixa de Previdência e passou-se a chamar Segurança Social e o Imposto Complementar foi incluído no Imposto Profissional e tomou o nome de IRS. Pela falta de especificação do FD por estar incluído na Segurança Social presentemente quando pagam o Subsídio de Desemprego parece que estão a fazer um grande favor, como se o trabalhador já não tivesse andado a descontar para isso no tempo em que trabalhou. São estas ideias peregrinas que também querem fazer com os 13.º e 14º mês, ou seja fazer a inclusão pelos outros meses e depois como uns bons chicos espertos que são, acabarem por os diluir em impostos.

Para prejudicarem os mais desfavorecidos são exímios em copiar soluções de outros países, como o caso da redução de salários e pensões como se cá o que o comum dos mortais ganha, tem alguma comparação com o que em outros países se ganha e não é preciso ir muito longe, basta passar a fronteira. É como o aumento do preço dos seguros, também a bitola de comparação é a europeia como se auferíssemos dos salários que eles recebem e já para não falar dos preços da gasolina, eletricidade e gás ou outros bens de primeira necessidade, que para os nossos vizinhos é sempre mais barato.

Na verdade é prático e rápido, o Estado não paga, aliás na falta dessa seriedade já ele tem prática, o dinheiro dos subsídios não é entregue e diz-se alarvemente que é sacrifício de todos. Veja-se então o sacrifício do patronato que fica com os empregados a terem de trabalhar mais meia hora por dia, menos dias de férias e menos feriados. E depois falam de produtividade. Mas com que motividade ou paixão (como o patrão gosta muito de chamar), o trabalhador tem no seu local de trabalho? Que prémios de objetivos ou promoções passam a ter? Só se forem para os lambe botas do costume. Para os esforçados há-de ser corte de salário pela certa ou despedimento, pois para esse lugar mijeruca há muitos por aí e até licenciados se for preciso.

É triste como as cabeças pensantes que nos governam, não têm o discernimento para perceber que o comum dos funcionários a quem o Estado paga, também tem que ter as suas almofadas para poder pagar despesas anuais como seguros da casa e carro, revisão e inspeção, para além de outras como por exemplo o IMI, o qual por acaso também querem aumentar. Se para debelar a crise é preciso que todos, mas mesmo todos, façam um esforço adicional, porquê tantos economistas a mandarem bacoradas e não seguem a sugestão de Rui Rio e implantam para estes próximos anos o I.E.T – Imposto Especial Para Todos, variando conforme os escalões de rendimento de cada um? Mas é aqui que a porca torce o rabo, pois aqueles que têm fartos rendimentos não estão para isso e este Governo foi lá posto precisamente para os servir através daquela minoria de 13% do eleitorado do CDS_PP, com o descaramento ainda por cima de afirmarem que foi a maioria do povo que escolheu este programa político.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O Capitalismo no seu pior

No final do século passado  muito se falou do fim do modelo comunista, da repressão e miséria por ele causada, sendo a prova disso os milhares de imigrantes com as mais variadas profissões que recebemos à procura de melhores condições de vida. Era então o Ocidente um “Eldourado” a alcançar, onde haveria Euros para todos. O problema é que tudo isto não passava de uma especulação, em particular da imobiliária, tal como castelos de areia que as falcatruas e consequente falência(?) do Lehman Brothers nos EUA desfez. A partir daqui começou o efeito dominó a atingir as economias mais frágeis com pior destaque principalmente para aquelas onde graça a corrupção, a incompetência na justiça e onde a fraude triunfa, que são precisamente o que a Grécia e Portugal têm de comum. Crise é uma palavra que nunca nos largou, basta confirmar pelas piadas nos programas humorísticos da RTP Memória, só que agora parece que a único remédio é arrasar com a classe média nivelando-a com os pobres e assim todos viverem da caridade dos ricos. O Comunismo e o Capitalismo sempre tiveram uma coisa em comum: os privilegiados, aqueles pelo os quais a crise sempre passa ao lado e normalmente dela saem mais fortalecidos, pois invariavelmente acaba de servir de protesto para acabarem com as poucas regalias dos trabalhadores. E se por um qualquer motivo esta crise lhes chega, então desencadeiam a guerra acabando a mesma massa explorada por lhes servir de bala para canhão e assim ficarem intocáveis.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Sá Carneiro, o sonho realizado

Como na maioria dos países europeus a direita (nalguns até a extrema direita) ganhou o poder e para breve com a Espanha também se irá passar o mesmo. Entre abstenções, votos nulos e inválidos a grande vitória foi para quem se está marimbando para isto tudo e foram quase a metade dos eleitores. Em abono da verdade para quê utilizar a arma do povo (é assim que em tempos ouvi chamar) na escolha do destino do país, perdendo tempo numa deslocação quando eles entregam o poder a quem bem entendem e até mesmo a só quem teve apenas 11,70% dos votos. Poderia ser que depois de tanto discurso inflamado contra a falta de segurança, a má gestão do setor da agricultura e pescas, Paulo Portas fosse para ministro de alguma destas pastas e mostrasse o que valia. Mas não, tal como um bom submarino infiltrou-se no MNE que é o sitio ideal para quem não tem compromissos familiares e gosta de viajar. O compadrio é mesmo isto e então a tal retribuição do favor a Fernando Nobre foi algo por demais, insistindo o homem numa segunda volta de votação na Assembleia que ainda teve menos votos que na primeira e vá lá que teve o bom senso de desistir e não ir a uma terceira. Se era este o cérebro na orientação da AMI, que se poderá dizer ou esperar.
Enfim, cumpriu-se o sonho de Sá Carneiro uma maioria e um Presidente de direita, ficando o ramalhete composto com a curiosidade de nunca como agora termos estado tão perto dos tempos de Marcelo Caetano do Estado Novo. Mais uma vez a AD vai estar no poder, com a diferença que esta tem que lidar com as redes sociais e outros canais televisivos e radiofónicos sendo a mordaça à Comunicação Social mais difícil de aplicar. Já começaram e estavam tão impacientes que não deixou de ser curioso como o José Eduardo Moniz caiu de pára-quedas na RTP1, a tal que todos pagamos e ainda nem sequer a procissão está no adro.

terça-feira, 29 de março de 2011

Uma nova relação institucional

Sempre se percebeu pela oposição que a Esquerda ia fazendo, que este segundo mandato de Sócrates nunca chegaria ao fim. Foi uma Esquerda que desprezou a vontade do eleitorado, que se exprimiu nas últimas eleições legislativas pelo mesmo primeiro ministro, só que sem uma maioria absoluta de forma a lhe baixar a crista da arrogância. E será esta mesma ala comunista/maoista a mais penalizada, principalmente o PCP de quem se esperava uma maior responsabilidade e ponderação. O comportamento da direita foi seguir o seu instinto natural de caça ao poder sem olhar a meios, esperando apenas o aval do Presidente da República para a reeleição do qual tanto se esforçaram. Uma frase Passos Coelho repetia até à exaustão: “O Governo só tem que fazer a sua obrigação, que é governar”, sabendo ele perfeitamente que quem nos governa são os poderosos da Europa, os tais que agora pedem contas daquela injeção de dinheiro nos dois governos de Cavaco (PSD/CDS) e no de Guterres (PS). O que fazemos ou não fazemos em forma de PEC (Pacto de Estabilidade e Crescimento) é precisamente a aplicação dessas diretrizes que todos boicotaram, mas que agora se dão a ares de grande responsabilidade a afirmarem que essas medidas ou piores ainda têm que ser implementadas, só que com o “tacho” em outras mãos. Já tivemos uma AD de Cavaco com os nefastos resultados que estão na memória de muitos e eram esses os tempos de vacas gordas seguindo-se outro mandato do PS de Guterres que também desbaratou as ajudas disponibilizadas para investimento (a CREL por exemplo, passou a ser à borla), acabando por Durão Barroso (PSD) com a ministra das finanças Manuela Ferreira Leite trazer a austeridade (IVA a 21%) e daqui para cá a palavra deficite nunca mais nos largou, agora a juntar uma crise mundial que tudo agravou. Veja-se as recentes manifestações na Inglaterra que sempre tem sido fiel à sua libra.

Tudo leva a crer que a partir de Junho pela primeira vez vamo-nos deparar com o inicio de um ciclo em que o Governo e o Presidente são de Direita, que é o resultado da falta de lucidez de um Jerónimo de Sousa que nunca chegará aos calcanhares de Cunhal que numa eleição à presidência, disse aos comunistas para taparem a foto de Soares e meterem lá a cruz evitando desta forma a dispersão de votos.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Estagnação, recessão, ...ão, ...ão

Passado um mês da eleição presidencial, é caso para dizer que a nossa democracia já atingiu um excelente nível de maturidade, equivalente aos outros países com forte solidez democrata. A euforia da vitória da direita também foi sempre controlada, talvez porque a reeleição de Cavaco estava mais que assegurada acabando por não se pedir a cabeça de ninguém, salvo Paulo Portas que no fundo não podia deixar de assumir o seu papel de líder da extrema. Daí para cá, atendendo aos discursos de bota abaixo que tem feito, até se estranha não apoiar a moção de censura ao Governo, que o Bloco de Esquerda no mês que vem vai levar ao Parlamento. Mas enfim, o bom senso tem-se imposto e parece não haver ninguém disposto a repetir a aldrabice de José Sócrates numa campanha eleitoral, ao afirmar que criava milhares de postos de trabalho.
Os mais esclarecidos e conciliadores percebem que é no desemprego que reside o grande mal desta sociedade contribuindo para o aumento da criminalidade a qual no nosso cantinho ainda é agravada pela inoperância da Justiça e no “fartar vilanagem” da corrupção. Por isso, postos de trabalho como arranjá-los, quando pelo contrário se andam sempre a inventar formas de os acabar com o argumento de redução de custos.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Eleições para que vos quero

Tal como há cinco anos, Cavaco Silva irá ganhar de forma esmagadora estas eleições para a Presidência da República. Apesar da promiscuidade revelada pela revista Visão sobre o autêntico feudo que é a quinta da Coelha, onde a maior parte dos vizinhos de Cavaco foram seus colaboradores com realce para Oliveira e Costa, a única dificuldade é a abstenção mas os eleitores de Direita não costumam facilitar, contrariamente ao que fizeram os de Esquerda num primeiro referendo à despenalização do aborto, que fiando-se nas sondagens a seu favor preguiçaram, não foram às urnas e perderam. É esta mesma facção politica que torna a facilitar o caminho à recandidatura do actual presidente, ao se apresentar às eleições com vários candidatos não se percebendo bem qual o papel do socialista Defensor Moura, que não se livra de passar por um submarino ou a favor da Direita ou pró Esquerda, se por esta apresentar a desistência a favor de Manuel Alegre. Caso assim proceda justifica-se a atitude que teve ao andar a mandar atoardas ao candidato Cavaco Silva e fazer esta pirueta, que também pelo menos numa das eleições o Partido Comunista já fez com o seu candidato da altura a desistir no final da campanha.
Prevê-se uma daquelas noites de euforia que me fazem sempre lembrar as imagens do filme Chove em Santiago passado no saudoso cinema Nimas (cinema pequeno com sessões sucessivas sempre esgotadas) em que apresenta o regozijo dos apoiantes de Augusto Pinochet na queda de Salvador Allende no Chile depois de tanto se gritar o povo unido jamais será vencido.
Todos vão pedir a cabeça de Sócrates como se de umas legislativas se tivesse tratado, ficando a expectativa se este não aproveitará o pretexto para se pôr a andar como fez António Guterres. Chega a uma altura que já não há pachorra para aturar tanta adversidade, ainda por cima na situação de crise mundial que se atravessa em que o desemprego é o maior flagelo. Se assim decidir é como tirar o tapete ao reeleito, que também numa altura destas de necessária coesão perante os mercados internacionais, não é grande fã de eleições antecipadas além de uma fraca empatia por Passos Coelho.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Razão atendível

Quando se fala do seleccionador nacional de futebol Carlos Queiroz, tudo levaria a crer que o tema seria desporto. Neste caso não.
O que se trata é de um exemplo mais visível do que se passa no mundo laboral, ou seja despedir alguém sem lhe querer pagar uma indemnização à qual tem direito. Muitos casos destes se passam por aí, onde inventam processos disciplinares para correr com um trabalhador que sempre teve bom desempenho ao longo dos anos e isto em nome de qualquer reestruturação.
Não foi consensual a escolha do substituto de Scolari apesar de este também ter tido contra as suas opções vozes discordantes. Carlos Queiroz com o seu ar sobranceiro comum à maior parte dos emigrantes bem sucedidos, ainda mais polémica e conflito trouxe, dos quais já não nos lembrávamos desde os tempos em que Sá Pinto resolveu agredir Artur Jorge.
Todavia, bem ou mal e com a ajuda da selecção dinamarquesa conseguimos entrar no play-off, e alguns objectivos importantes foram alcançados ou seja a ida à África do Sul, passar da fase de grupos só tendo o azar de logo na primeira eliminatória termos apanhado a Espanha, que por acaso até foi campeã.
Mesmo assim desencantou-se uma obstrução por parte do seleccionador a um processo anti-doping passado há meses atrás para servir de pretexto ao tal conveniente processo disciplinar a visar o despedimento com justa causa. Somos levados a pensar que se a Selecção no Mundial tivesse ido mais longe, quiçá até à final provavelmente nada disto se estava a passar.
Resta-nos agora aguardar que a equipa das quinas em piloto automático, como diz Gilberto Madaíl, faça um bom desempenho no apuramento para o Europeu de 2012.

domingo, 25 de julho de 2010

Tanto deputado. Metade chegava e sobrava

De vez em quando passam nas nossas televisões imagens de sessões a decorrer em parlamentos de outros países, normalmente asiáticos ou do leste europeu, onde por vezes os eleitos expõem os seus pontos de vista à pancadaria. Costumamos analisá-las de forma sobranceira e com risos de desdém julgando-nos supostamente superiores e grandes democratas. Deve ser o mesmo que acontece com as populações daqueles países de grande tradição democrática ao olharem (se é que isso alguma vez acontece) para as imagens transmitidas do nosso Parlamento a debater o estado da Nação à gargalhada e às piadas uns para os outros.
Passos Coelho tem razão, há muita despesa supérflua a reduzir. Em vez de pretender aniquilar com os apoios sociais adquiridos com a implementação da democracia, ainda por cima numa altura destas, de crise mundial profunda onde a solidariedade é mais premente e que até nos próprios Estados Unidos se procura que todos de igual modo tenham direito à saúde, devia urgentemente propor a redução daquela maior parte de parasitas que parece que quando param pela Assembleia, é para a galhofa, adquirirem viagens ou navegarem pela Net, ficando até ofendidos se algum jornalista tenta espreitar por onde “andam”.