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terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Covid está a causar à humanidade o mesmo quando se espezinha um carreiro de formigas

As teorias da conspiração são pertinentes, porque há fatores que se conjugam para justificar o aparecimento do novo vírus, tais como as disputas sobre a supremacia económica que umas potências querem ter sobre as outras, não olhando a meios para tal conseguir e acaba por passar despercebido o outro lado desastroso do que se está a passar: o desprezo pela natureza. O lento extermínio das espécies, tanto nos oceanos como nas florestas, vai acabar ao longo do tempo por afetar aquele que está no topo dos animais, a si próprio classificado como racional, quando o seu comportamento é o oposto de tal. Em tempos de pandemia é notória a diminuição da poluição atmosférica causada pela desenfreada necessidade de estar depressa em qualquer sítio. É curiosa aquela preocupação dos lideres incutirem às pessoas para que nas deslocações diárias se juntem numa viatura, mas sobre o que a classe dominante faz com o uso dos seus jatos particulares para ali e para acolá, nada dizem.

Também já uns bons anos que andamos a ver imagens do oriente com o uso da máscara, principalmente em transportes públicos e ultimamente também por causa da poluição, como no caso da Índia. O mundo ocidental sempre com tiques de superioridade e de conquistador, olha-os como uns débeis, fracos e uma solução tão fácil ao alcance de todos para defesa do contágio, só com imposição e coimas será seguida, faz lembrar a obrigatoriedade do cinto de segurança na condução.

Está na fraqueza do ser humano, que quando conseguir ultrapassar esta pandemia (sabe-se lá à custa de que sacrifícios) não vai conseguir modificar hábitos e escavacará o planeta como se houvesse outro (um B). Ai daqueles que sejam os futuros velhos a ter que prestar contas às gerações vindouras.  

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Pacto de silêncio

Quando alguém que não estava ao serviço da sua profissão ou que não estava enfermo, morre a altas horas da madrugada numa altura em que o comum dos mortais está a dormir, normalmente o que contribui para essa perca de vida tem contornos pouco claros. Há uns anos atrás quando o presidente do F. C. Porto foi confrontado com um trágico acidente durante a madrugada que envolveu uma viatura de um jogador russo, dizia que não admitia que esse atleta que devia estar em repouso, andasse ali aquelas horas, nem que fosse a passear a pé, pelo que foi multado pelo clube, o que não aconteceria se o caso tivesse acontecido nas chamadas horas de expediente.  
Perante qualquer tragédia os jornalistas sempre esmiúçam o que se passou e principalmente tirar a limpo quais foram as causas que contribuíram para o desastre. Mas quando a desgraça lhes bate à porta calam-se e vão ao ponto de lançar apelos para que todos fiquem calados, que foi o que fez uma jornalista da TVI, provavelmente num momento de pouca lucidez o que é natural perante a abrupta partida de um ente querido, que contra a lei natural da vida se lhe antecipou.
Não é por mero acaso que nós temos tendência e no fundo até exigirmos saber o que se passou, pois faz parte de um instinto primário de defesa para evitarmos que a nós aconteça o mesmo. Também é o que nos leva perante um acidente a abrandar e olhar para tentar perceber o que aconteceu para evitarmos cair no mesmo, sendo até instintivo nos próximos quilómetros seguirmos a velocidade reduzida. Aquela reação espontânea que temos após um excelente período de férias de nos preocupar logo em contar o que de mau aconteceu, também faz parte desse tal instinto que no fundo é ajudar outros humanos a não passarem pelo mesmo. E até os próprios animais quando um da sua espécie morre vão cheirar o que se passou, chegando mesmo os ratos quando percebem que a causa foi veneno, a urinar para cima do que originou para mais nenhum ser atingido.

Felizmente contra estes pactos de silêncio existe a internet, que é um bom antídoto contra os que se querem fazer superiores aos outros, o que com certeza não foi este o caso.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Descobrimentos, um fartar da vilanagem

Ao ouvir no programa Viva a Música da Antena1 o ex-colega Fernando Pereira, acompanhado de dois músicos da Real Companhia, a cantar um poema de José Mário Branco a Ronda do Soldadinho, deixou-me a pensar porque em pleno século XXI ainda se mantém a mentira sobre a epopeia dos descobrimentos e que há poucas semanas foi evocada numa fantochada do governo numa qualquer inauguração de uma mais valia turística. Aliás, uma mentira encoberta pela maior parte dos países ocidentais que também foram colonizadores. Curioso este poema, que no antigo regime fascista em plena guerra colonial, só podia ser cantado à porta fechada num circulo restrito de amigos. Pois é, assim rezam algumas estrofes: “...Os senhores da guerra Não matam Mandam matar Os senhores da guerra Não morrem Mandam morrer; A guerra é p'ra quem Nunca aprendeu A semear É p'ra quem só quer Mandar matar Para roubar”. É isso mesmo, sob a capa da evangelização roubar e escravizar é o que os poderosos mandaram fazer e ainda mandam, dando que pensar que este país foi o mais relutante em largar as colónias e agora é aquele que mais explora o povo com impostos, onde os ricos estão mais ricos e os pobres são cada vez mais. Outras civilizações que em outras partes do globo viviam em paz foram exterminadas, roubadas e até apanharam como herança (principalmente as mulheres) as doenças do mundo dito civilizado.
Imaginemos só: se por acaso a lua fosse habitada por povos que vivessem em paz e fosse rica em metais preciosos dos quais geneticamente deles necessitassem para sobreviver, de certeza que mesmo com o habitat desfavorável ao homem, este em nome sabe-se lá de que causa, haveria de tudo fazer para lá deixar a destruição e ruína com o fim de sacar esses tesouros para ainda ficarem mais donos do mundo.

terça-feira, 8 de abril de 2014

A mão do capitalismo

A revolução feita por jovens capitães com o objectivo de pôr fim a uma guerra que os estava a matar ou pior ainda a estropiar, trouxe a reboque um povo que conquistou a liberdade e o poder de voto para escolher quem o melhor o serviria. Só que por manobras eleitoralistas das percentagens dos votos, quem está no poder coligado não representa a maioria de votos de quem se deu ao trabalho de ir às urnas. A mensagem que foi dada nas mesas de voto, foi um basta à governação de seis anos de Sócrates, uma personalidade arrogante da qual as pessoas já estavam fartas de atender com sacrifícios e o que queriam era um outro primeiro ministro com politicas centro esquerda. Mas o que há três anos saiu, foi um governo a reboque do CDS virado completamente à direita pondo a sua clientela rica mais rica e os pobres mais pobres. Passados quarenta anos, eis por ironia do destino ao que a esquerda chegou (unicamente por culpa dela, permitindo a reeleição de um presidente por demais comprometido com a direita, mesmo com gestores de reputação duvidosa): contra três comentaristas pró governo a papaguear em canais abertos (TDT), está apenas José Sócrates no contraditório. Contra ele puseram agora o José Rodrigues dos Santos que em vez de recolher as opiniões como fazem os jornalistas nos outros canais, faz a mando de quem tem a força do dinheiro, o papel de entrevistador (ou advogado do Diabo como lhe chamou o entrevistado e ele considerou isso um insulto ao qual altivamente não se dignou a responder). Este é o comportamento de quem escreveu “A mão do Diabo”, um daqueles calhamaços que todos os anos este mais escritor do que jornalista, costuma editar. Quando o trouxe da biblioteca tinha a particularidade de a forra da capa estar rasgada com raiva por um xi-ato e depois de o ler percebi bem porquê. Aquilo não passa de ataque sectário descarado aos seis anos de governação socialista, como sendo a causa de todo o mal a que chegámos. Como se governos de Cavaco Silva (um dos quais com maioria absoluta no auge da chuva de euros), Durão Barroso e Santana Lopes não tivessem existido, sendo o descalabro só causado pelas governações de esquerda. No final deste romance vêm sempre os agradecimentos e as referências a quem o ajudou escrever e a provarem que apesar de ficção é baseado em fatos reais. Dos economistas consultados lá tinha que estar o Medina Carreira e pasme-se... o Vítor Bento. O tal que apresentou um estudo de que as transações no multibanco têm de ser taxadas, não sendo por acaso que os talões (CGD) já apresentam uma linha a dizer Custo da Operação: 0,00€. Perante tudo o que se está a passar, não se pode deixar de reafirmar uma verdade: “Não basta conquistar a liberdade é preciso no dia à dia lutar por ela”.

sábado, 29 de março de 2014

Caixas negras, já pertencem ao século passado

Se no imenso universo há outros seres vivos inteligentes que para se expandirem necessitem das mesmas condições de vida que o nosso planeta possui, só lhes basta ter a calma de esperar alguns anos (não se prevendo quantos, podem ser séculos) para que a humanidade se auto destrua e então esses supostos seres vivos ainda consigam recuperar os cacos aqui deixados, para então evoluírem num paraíso que é o que este cantinho é, em relação aos restantes inóspitos planetas desta galáxia. É esse paraíso que o homem ao chegar à lua e podendo ao mesmo tempo ver a fragilidade deste globo, não ter por ganância querido perceber, que era aqui que os biliões de dólares gastos com a conquista espacial têm que ser aplicados e muito para o bem estar dos terrenos havia onde gastar. Basta mencionar as queixas da falta de verbas para a investigação na luta contra as doenças fatais que tantas vidas prematuras ceifam.
Mas já que o avanço da tecnologia espacial fascina tanto o homem, também dessa mesma fonte de verbas poderia ser retirada alguma percentagem para usar na remodelação e substituição das obsoletas caixas negras das aeronaves comerciais. Bastava dotar o avião com aparelhagem intocável para fornecer ao segundo para satélites o comportamento do aparelho. Desta forma acabariam as especulações sobre o que aconteceu com o desaparecimento de um avião, pois qualquer avaria, desvio, despressurização ou incêndio era de imediato transmitido para o satélite deixando de haver dúvidas quanto ao local do sinistro, poupando aos familiares o desespero de não saber o que aconteceu e ao mesmo tempo evitar o gasto de muito dinheiro em buscas, que até por vezes nunca chegam a ter sucesso.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Fecho de canal ou como esconder a farsa governativa


A televisão continua a ser motivo para a exposição de grandes fraudes, promovidas por este governo. Depois da TDT, que só era preciso redirecionar a antena e comprar um conversor, temos agora o fecho do canal 2 com a mentira de que foi isto o que foi sufragado pelo povo português nas últimas eleições, pois estava inserido no programa do PSD. Espera-se que sobre este assunto, o presidente da republica faça cumprir a constituição e não deixe avançar as ideias daquele farsante que fez a formação académica à custa de aldrabices.
A falha da TDT em algumas zonas do país, que ainda por cima atinge em maior escala a população de idosos no interior, “obrigou-me” neste verão a ver por parabólica alguns canais em sinal aberto, se é que não queria que a televisão ficasse a preto com ruídos, mas sim ver qualquer coisa: TV5 Monde, Cubavision e Al Jazeera, para além de um religioso que me pareceu ser de grande fanatismo. Foi confrangedor verificar que aquando das previsões do tempo, o mapa na região da Península Ibérica simplesmente ignorava Lisboa, só se via Madrid. Não admira que em muitas zonas do globo, Portugal seja tratado como uma província de Espanha e a culpa não é só da ignorância, é também da falha ao longo de muitos anos da divulgação da nossa cultura e depois sentimo-nos deveras ofendidos quando temos fraca influência nas regras do acordo ortográfico.
Das emissões da Al Jazeera vêm noticias de todo o lado, mas sempre demasiado focadas nas desgraças que assolam o planeta.
Da Cubavision vem muita música nativa com os mais variados artistas, sendo curioso a maior parte das cantoras aparecerem a expor enormes seios, nos limites da decência. O canal mostra as maravilhas turísticas incluindo a referência à defesa do ambiente, também é apresentada muita propaganda governativa, focada na defesa de alguns países da América Latina contra o chamado domínio imperialista dos EUA, e outros programas na suposta defesa dos camponeses. Perante todas estas imagens a entrarem-me subtilmente em casa de forma gratuita, perguntava-me que conheceram os cubanos de nós? Devem fazer a ideia de não passarmos de uma casta inferior. Mas abaixo quantos furos por andarem a fazer negócio connosco para nos enviarem médicos, ou proporcionarem tratamentos a quem lá pode ir?
Da francesa TV5 Monde, vieram  os programas mais equilibrados e até num concurso foi feita referência a Portugal num tema sobre a gastronomia. Uma agradável reportagem de um comboio a vapor para fins turísticos a percorrer zonas verdejantes por vales e montanhas fazendo lembrar a nossa linha do Tua só que em enorme escala. Até mesmo os espanhóis têm algo semelhante a que nós não chegamos aos calcanhares.
Está visto que a nossa maior vocação é encerrar ramais ferroviários com os carris a serem roubados. Veja-se por exemplo o desplante, de que com a promessa do metro de superfície encerraram a linha de Coimbra para a Lousã e agora nem comboio nem metro, talvez em 2017. Enfim, ao olhar outro panorama televisivo o melhor é não fazer comparações porque ficamos sempre por perceber que muito do dinheiro dos nossos impostos é sempre para encher o bolso de alguns.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Futebol sai dos três efes? Sobram fado e Fátima


Não se sabe até quando as classes mais desfavorecidas se vão vergando perante a delapidação dos seus direitos adquiridos e até mesmo o seu património ganho durante uma vida de trabalho é ameaçado pela penhora devido à impossibilidade (entretanto com sistemática perca de rendimentos), fazer face ao aumento brutal do IMI. Que fará o Estado com estes bens penhorados? Simples, mete-os em leilão para a sua clientela com as suas chorudas contas bancárias, açambarcá-los por um valor irrisório.
Com o nosso património de séculos fazem eles o mesmo. Aquele que melhor lhes serve e está bem localizado, propositadamente é deixado ao abandono para depois o agarrarem para dele explorarem pousadas. Felizmente há certo poder autárquico que para o bem de todos, independentemente da cor política, faz o que pode para perseverar o legado que nos foi deixado, apostando no turismo/hotelaria e dinamizando a cultura. Curiosamente em dois concelhos vizinhos dei conta de dois castelos com sortes diferentes. O de Castro Marim praticamente ao abandono e que infelizmente lentamente se vai degradando, vendo-se que na altura própria não houve uma aposta corajosa de recuperação, optando-se por umas feiras medievais. O de Alcoutim onde se encontra uma obra séria de recuperação que dá gosto visitar e revisitar, parabéns.
A perseguição ao património cultural que é mais acessível a todos e provocar a sua extinção, não deixa o cérebro maquiavélico dos mais poderosos. A Feira Popular em Lisboa foi só o exemplo mais evidente, agora temos o apagão da TV que muitas populações sofreram, constituída principalmente por idosos. É a varejeira em cima da trampa na qual estes governantes têm metido o pobre e não se contentando com esta velhacaria, que só veio beneficiar os operadores de telecomunicações, tudo leva a crer que ainda vão tirar o futebol da Liga em canal aberto, para mais encherem os bolsos dessas sanguessugas. Se fosse como antigamente, quando era raro a RTP transmitir algum encontro e os amantes desta modalidade tinham que ir ao campo do clube da terra ou terras vizinhas para ver um jogo, enchendo desta forma os recintos e ao mesmo tempo impulsionar o desporto, comércio e o convívio, esta interdição até era bem vista. Só que o panorama televisivo é diferente e o oposto irá acontecer e estes clubes sem recursos ainda pior vão ficar, porque a despesa que os adeptos fariam com dois jogos ou mesmo com a cota de sócio será desviada para ajudar a pagar a um desses operadores para disponibilizarem os jogos da Liga e assim ficam em casa, acabando os campos dos clubes de menor dimensão (e não só) encherem-se de moscas.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

A diabolização de Sócrates pelo pasquim

Todas as sextas feiras de há quatro anos para cá,  tenho lido um pasquim que surgiu algures na década de setenta, numa altura em que no nosso país pairava o avanço de uma ditadura comunista. Grupos capitalistas onde o dinheiro sempre abunda, resolveram combater um outro pasquim diário comunista, que mais parecia o Avante porta voz do PCP. Daí para cá, o pasquim com ideais comunistas felizmente perdeu fulgor e deixou de se publicar, ficando até aos dias de hoje o referido pasquim capitalista que pela voz dos seus diretores mais a colaboração do cronista cínico (aparece numa foto com focinho de cão raivoso) e outros que muitos deles a esta altura já se empoleiraram no governo, o que têm feito é defender quem lhes paga.
Foram anos de combate a Sócrates da forma mais baixa que se possa imaginar e presentemente por o Seguro ser um frouxo, ainda vivem aterrorizados que o homem apareça e meta a boca no trombone a desmascarar todos aqueles que só quiseram poleiro. O que eles na oposição vociferavam contra os PEC’s e faziam pouco do primeiro ministro da altura ser um pau mandado da Merkel. Parece que estou a vê-los: Relvas, Macedo, Cristas, Portas (de chapelinho de agricultor enfiado na cabeça), Aguiar  e sei lá mais quem, que agora vivem agarrados à teta aplicando medidas bem piores, para maior empobrecimento dos mais desfavorecidos.
O povo não quis esta fraude eleitoral dos 13% (CDS-PP) no poder, mas sim uma maioria PSD/PS a governar sem ter pela frente o prepotente e vaidoso do Sócrates. Mas eles assim não sabem governar e o que querem é comer tudo e não deixar nada, estando o pasquim que eles pagam a encobrir este saque em nome da troika.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Morte, para alguns só física

Excluindo os fanáticos religiosos (nem todos), bem… bem… no fundo da nossa consciência, nós sabemos que só morremos quando algures no tempo (e enquanto os humanos subsistirem), deixarem de falar de nós. Não é por mero acaso que nos congratulamos quando a nossa família prolifera ou se diz que uma pessoa fica realizada quando constrói uma casa, planta uma árvore, escreve um livro, pinta um quadro e até mesmo fazer parte de um filme ou canção inesquecíveis. Gerações após gerações, de uma forma espontânea por uma qualquer razão seremos lembrados e assim vamos vivendo eternamente. Mas no reverso da medalha, também existem aqueles que são lembrados pelo mal que fizeram e que os mais religiosos acreditam que estão a arder eternamente no inferno.

E é assim que num tempo longínquo quando chegados àqueles dias que eram feriado, alguém conte aos seus netos que no passado era um dia de descanso para celebrar isto ou aquilo e nós ficávamos em família, exceto aqueles a quem os deveres profissionais não o permitiam, mas gozavam à mesma em outro dia, ou eram compensados monetariamente. Ah! interessa-se o neto e pergunta: mas quem nos fez esta maldade, também foi o senhor que morreu por ter caído da cadeira, foi? Não querido, foi outro chefe do governo que nem quero dizer o nome para não ajudar a ficar eterno e com a colaboração de outro superior.

Não deixa de ser interessante que Marcelo Caetano lentamente vá morrendo porque é um nome que propositadamente é esquecido, principalmente a tal primavera marcelista. Os fascistas ao fazerem a comparação com Salazar sempre o chamaram de fraco e não consta que tivesse tido tempo para grandes inaugurações, pois teve que estar a apanhar os cacos deixados pelo anterior ditador de um país em plena guerra colonial, a encher-se de estropiados e mortos regressados do ultramar. Mas foi a ele que devemos aquilo que estes agora querem tirar: a semana americana (não trabalhamos ao sábado mas compensamos para isso com mais horas de trabalho destribuídas pelos restantes dias da semana) e os subsídios de férias e natal para os funcionários públicos. Abriu as portas ao estrangeiro custando-lhe numa deslocação a Londres levar com caixotes de lixo num protesto contra a injusta guerra. Foi pena os grandes interesses capitalistas não o terem deixado a ser mais ousado e ter avançado com a descolonização, porque nessa altura já tinha sido alertado pelo marechal Spínola que a Guiné era um caso perdido. Tudo teria sido diferente, com repercussões até aos dias de hoje, visto que os jovens capitães já não tinham necessidade de fazer o 25 de Abril, do qual à boa maneira portuguesa tantos oportunistas se aproveitaram e até nos dias de hoje. Veja-se a quantidade de deputados para um país tão pequeno.

sábado, 30 de abril de 2011

Chicos espertos

Há alturas em que sabe bem ver a atuação das forças de segurança. Dá-nos a sensação de que a percentagem de imposto que descontamos para o efeito é bem aplicada. Ao presenciar o trabalho de um só Agente (repare-se, um só Agente) ao cimo da A2 após o 2.º viaduto do Feijó no sentido de Lisboa, que tinha a função de “caçar” os espertalhões que não respeitavam a fila e estavam abusivamente a seguir pela berma. O comportamento dele era de uma eficácia digna de registo pelo simples apontar de matricula, sem mandar parar e exigir de imediato que a viatura seguisse caminho na faixa normal, não havendo direito a qualquer conversa com o transgressor. O senhor que se segue...!
À velocidade que agora os dados são processados de certeza que na semana seguinte lhes apareceu a coima para pagar, sendo só de lamentar que muitos desses já prevaricam por terem as costas largas e exercerem impunemente a sua corrupção.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Velhice, um mal necessário

Todos os seres vivos, ou quase todos, estão condenados a atravessar um período de velhice até morrerem. É um final de vida caracterizado por uma perca progressiva de faculdades, que leva a certa altura os humanos a fazer comparações do seu aspecto actual com o de outras imagens, em que aparecem mais novos e nas quais as diferenças de dez anos apresentam sinais de decadência: cabelo a desaparecer, já para não falar de alguns dentes, além do aparecimento de gordura supérflua e também de se desenharem no rosto umas rugas, que até por vezes causam dificuldade em serem reconhecidos por outras pessoas que não vêem há alguns anos.
Somos levados a pensar, que não seria pedir muito que a partir dos sessenta anos o nosso corpo à excepção dos órgão internos, ficasse sempre na mesma até morrermos. Enfim, saberíamos que o resto da vida que nos estava destinado, até que os órgãos essenciais assim o permitissem, seria sempre gozado com a mesma qualidade: sem cataratas a dar cabo da nossa vista, tímpanos a definirem bem qualquer som , dentes sem apodrecerem, pele no limite do envelhecimento e ossos fortes.
No entanto é a procriação e o instinto animal para tal, que nos condena e faz com que transmitamos para outros parceiros os sinais de senilidade. Com oitenta anos por exemplo e ter um aspecto de sessenta, caía-se no risco de causar uma atracão a uma faixa etária mais nova (o que por vezes já acontece a quem procura velhos ou velhas com dinheiro), resultando daí um desvio anormal de acasalamentos, pondo em causa a sobrevivência da espécie. É fácil perceber se pensarmos numa flor e se ela não entrasse no processo de velhice, isto é se não murchasse e ficasse sempre viçosa até morrer. Muitos insectos, por exemplo as abelhas, seriam enganados ao desperdiçarem esforços à procura do pólen que já não existia criando por via disso um ciclo estéril, nada benéfico para o equilíbrio deste frágil planeta. Também temos seres que após atingirem o clímax ao contribuírem para a perpetuação da sua espécie, vão ao extremo de morrerem ou serem mortos resumindo desta forma a razão do seu aparecimento na terra.
A nós resta-nos desfrutar o lado bom da vida tal como ela é, mas infelizmente nem só velhos são os trapos por mais que nos queiramos enganar.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Longe da vista, longe do coração

Por ser um orgão delicado em que sentimos a reacção às emoções visto que é para ele que o cérebro transmite os comandos para aceleração ou abrandamento afim de bombear o fluxo sanguíneo, parece-nos que é aí que reside todo o amor ou amizade e ódio. Até mesmo quando se fala em transplantes de coração, há a sensação que o paciente também venha a receber os sentimentos do dador.
Posto isto, correctamente se deveria dizer: longe dos sentidos (mais evidentes a vista e a audição), longe do pensamento. Na verdade é o cérebro que perante toda a informação que reune, a processa de forma a que em primeiro lugar não soframos. Daí quando sonhamos é muito raro o fazermos com as pessoas que directamente nos são queridas, excepto quando já faleceram, consistindo numa autodefesa para durante o sono não cairmos no pesadelo de estarmos impotentes na defesa de alguém que muito estimamos. Também prioritariamente ele se preocupa em reter o que de negativo aconteceu ou fizemos, deixando para segundo plano as recordações das coisas boas de forma a que futuramente os erros não se repitam. É um exemplo disso, o facto de as pessoas ao encontrarem-se terem tendência em contar em primeiro lugar as más experiências por que passaram, ou então se não as contam logo, têm no subconsciente uma luzinha de aviso para não se esquecerem de partilhar esse mau momento antes da despedida.
Não deixa de ser curiosa a proporção de interesse que se manifesta, conforme os nossos sentidos estejam perante um acontecimento extraordinário, a decorrer remotamente ou perto. Ou então, mesmo que seja no outro lado do globo e esteja alguém da nossa nacionalidade a passar por esse momento, é como se o desenrolar da situação se passasse a fazer mais perto.
O não estarmos com os sentidos perto daqueles que nos são próximos e deixaram o nosso contacto, é uma forma que o nosso pensamento tem de lentamente deixarmos de sofrer, reservando umas células para boas recordações e nas desilusões amorosas é sempre salutar que haja a substituição por outro amor, para que se proceda a uma melhor química entre os sentidos e a actividade emocional.

domingo, 5 de julho de 2009

Vivó os noivos

Quer queiramos, quer não, há parentescos que só seguindo as regras ditadas pela sociedade, nos são realmente atribuídos. Quando nascemos, imediatamente somos filhos de alguém e a partir daí ficamos relacionados com outros graus: pais, avós, tios, irmãos, etc. Agora esposa, esposo, marido, sogros, genros e noras são aqueles que se conseguem de papel passado, que caso seja anulado em virtude de desentendimentos, já começa a exigir um esforço para estes nomes não perderem significado e por vezes tratados por ex, ou então por primeiros segundos ou o que for. Todavia, nos tempos que correm cada vez menos os casais se preocupam em entrar na carruagem casamento do comboio da vida, aquela que normalmente surge a seguir à da formação escolar e antes da concepção do primeiro filho. Não estão para se preocupar com essas formalidades e depois alguns tratam ou se deixam tratar, por esses parentescos criados pela burocracia. Para felicidade nossa, filha e namorado resolveram entrar na carruagem, que sejam muito felizes!

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Um objecto, apenas.

O Bozinho foi a abater.
Foi dignamente pelo seu próprio pé, ainda bem calçado, para cima do reboque, deixando no estacionamento onde esteve vários dias parado, uns pingos de óleo resultantes da velhice.
Fiquei a olhar para o Uno com certa pena e nostalgia, pois durante quinze anos apesar de apenas percorrer 100.000 Kms, muitos episódios se passaram na sua companhia. Ocasionalmente as fotos hão-de nos trazer muitas recordações, mas fica na memória como ele foi conduzido pelos menos inexperientes da família, com o qual ganharam prática. Ou como se portou em camioneta de carga, para transportar a Montargil mobílias e electrodomésticos por nós usados e continuarmos a usar.
Agora foi para o Barreiro onde os plásticos, óleos e gasolina são retirados. Daí, como sai mais caro ser derretido nos altos fornos da nossa siderurgia, segue amachucado junto com outros para Espanha.
Sempre Espanha. Andámos há séculos atrás, a pedir ajuda aos ingleses para expulsar os espanhóis e eis que além da pata inglesa em cima de nós (contra os bretões marchar, marchar), levámos também com a dos americanos que fazem da ilha Terceira, e não só, o que querem e o que lhes apetece, acabando ironicamente o ciclo por se fechar com a superioridade dos vizinhos que não podemos deixar de ter.

sábado, 11 de outubro de 2008

Memória


O meu pai nunca foi muito de andar comigo atrás. Tudo lhe servia de desculpa para conseguir evitar a minha colagem. Uma típica, era dita na brincadeira de que quando o acompanhava ao antigo estádio José Alvalade, o Sporting perdia, pois eu dava azar.
Daí, quando era mais pequeno, só por uma vez eu o acompanhei ao emprego, o que por acaso também não me deixou muita vontade de lá voltar e também não retive nenhum episódio, ou alguma conversa. Só me lembro de ter ficado muito envergonhado e tímido de cabeça baixa numa secretária, agarrado a um lápis.
Mas eis que hoje, e passados cinquenta anos voltei a entrar no local onde o meu pai tantos anos (36) trabalhou, o Arsenal do Alfeite. É algo surrealista. A memória dispara-me flashes de imagens para enquadrar com as que presentemente vejo e as secretárias não sendo o mesmo mobiliário, também os rostos não o são. E eu a esforçar-me para que fossem os mesmos, procurando ao mesmo tempo o lugar onde estive sentado, como se fosse possível ver ali um rapazinho pequenino de calções.
Para chegar às instalações administrativas tive que passar vários controlos onde muitos marinheiros, ou oficiais da marinha alguns em fato e boné de gala me bateram pala, coisa a que estamos acostumados quando a polícia de trânsito nos manda parar.
Lá dentro segui estrada fora (aquilo é enorme) até chegar à beira rio com todos os barcos de guerra ancorados. Para quem viu o filme Pearl Harbour, o cenário é idêntico, salvaguardando as respectivas dimensões. Tive pena de não estar com a máquina fotográfica, o que provavelmente não me serviria de nada, pois não acredito que deixem tirar fotografias, apesar de o meu pai na altura as ter tirado. Agora ao revê-las bem compreendo toda a paisagem naval, pois estava ali mesmo à sua mão de semear junto ao local de trabalho, o Serviço Administrativo.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Movimento

A minha volta para ajudar a desmoer o almoço, ficou substancialmente melhorada. O que as nossas assoalhadas têm de bom, é estarem localizadas entre o centro da cidade e o campo. Assim, aqui estou no planalto do Cristo Rei em vez do estacionamento da Fábrica, com um tempo espectacular havendo uma brisa morna e a companhia de turistas, poucos. Sentado num banco de pedra (montaram uma série deles na orla virada ao rio, o que dá mesmo jeito) reparo que passa um avião da TAP, daqueles bojudos, que só abriu o trem de aterragem a meio do Tejo. É raro, normalmente quando ali chegam as rodas já estão descidas. Quando assim não é e calha a ser mesmo ali, gosto pelos binóculos assistir à manobra.

Dou comigo a pensar no dia de ontem, a ir ao Centro de Emprego. Muito mau! Localizado num espaço novo que não foi feito para albergar tanta gente. Caí na realidade e não nas facilidades dos números fabricados que nos querem impingir. As pessoas tinham que andar pela rua e vá lá que o tempo primaveril ajudou, pelo que imagino no Inverno o que é ter que estar de chapéu de chuva e sobretudo vestido à espera. Demorou sensivelmente três horas e meia a ser atendido, o que deu para andar às voltinhas e ir ao Centro de Saúde procurar por um daqueles jornais gratuitos e aproveitar para marcar uma consulta, o que não consegui claro. O círculo completa-se. Se tivesse que ir a outro organismo público, a Segurança Social por exemplo, seria a mesma coisa.

Uns italianos já entradotes entregam-me a digital e pedem para lhes tirar uma foto. Não gostei do plano que escolheram, sentados de costas para a estátua e por mais que me esforçasse o Cristo ficava cortado. Ofereci-me para tirar outra com o plano do rio e Lisboa, mas delicadamente recusaram, o que parvamente me deixou frustrado. É raro pedirem-me para lhes tirar fotos, não devo inspirar muita confiança. Só uma outra vez me tinha acontecido, com um moço estudante de Macau. Entre outras, fiz uma gira em que lhe entreguei a bicicleta para fazer pose.
Passeiam-se muito por lá e agora já existem boas condições para piqueniques onde várias excursões podem se espalhar. Vá lá algum progresso.