terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Covid está a causar à humanidade o mesmo quando se espezinha um carreiro de formigas

As teorias da conspiração são pertinentes, porque há fatores que se conjugam para justificar o aparecimento do novo vírus, tais como as disputas sobre a supremacia económica que umas potências querem ter sobre as outras, não olhando a meios para tal conseguir e acaba por passar despercebido o outro lado desastroso do que se está a passar: o desprezo pela natureza. O lento extermínio das espécies, tanto nos oceanos como nas florestas, vai acabar ao longo do tempo por afetar aquele que está no topo dos animais, a si próprio classificado como racional, quando o seu comportamento é o oposto de tal. Em tempos de pandemia é notória a diminuição da poluição atmosférica causada pela desenfreada necessidade de estar depressa em qualquer sítio. É curiosa aquela preocupação dos lideres incutirem às pessoas para que nas deslocações diárias se juntem numa viatura, mas sobre o que a classe dominante faz com o uso dos seus jatos particulares para ali e para acolá, nada dizem.

Também já uns bons anos que andamos a ver imagens do oriente com o uso da máscara, principalmente em transportes públicos e ultimamente também por causa da poluição, como no caso da Índia. O mundo ocidental sempre com tiques de superioridade e de conquistador, olha-os como uns débeis, fracos e uma solução tão fácil ao alcance de todos para defesa do contágio, só com imposição e coimas será seguida, faz lembrar a obrigatoriedade do cinto de segurança na condução.

Está na fraqueza do ser humano, que quando conseguir ultrapassar esta pandemia (sabe-se lá à custa de que sacrifícios) não vai conseguir modificar hábitos e escavacará o planeta como se houvesse outro (um B). Ai daqueles que sejam os futuros velhos a ter que prestar contas às gerações vindouras.  

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Voice Portugal 2018, mais uma vergonha nacional

Quem assistiu a esta última temporada do programa Voice Portugal e que perceba minimamente de música, deveria ter ficado abismado em como é possível fazer pouco dos telespetadores e principalmente dos mais fervorosos adeptos que pegam no telefone e gastam dinheiro em chamadas. Os que gostam destes concursos televisivos, já estão habituados ao envolvimento político que rodeia o festival da eurovisão da canção, mas este no nosso "cantinho" foi por demais vergonhoso. É triste como aqueles profissionais já com excelentes provas dadas e com bastantes fãs, se prestem a contribuir para aquela farsa onde uma miúda estrangeira com voz de cana rachada se sobrepõe ao longo de várias emissões a muitas outras vozes de excelente qualidade. Por muitos países este concurso é exibido, não sendo a primeira vez que um concorrente com raízes de outra nação participa e que pela sua qualidade faça boa figura, mas este caso português foi ao ponto de trazer figuras pressionantes para a plateia a darem um empurram, e uma mentora com a teatralidade de surpresa como se não soubesse que lá estão. Mas isto não se ficou por aqui, ainda houve o caso da aspirante a cantora ter uma má entrada numa música, com a aspirante a atriz em pânico de braços no ar a pedir calma. Numa noite a rapariguita chegou a ser eliminada, mas por artes mágicas com telefonemas como pretexto, tornou a voltar. Quem nessa noite se tivesse deitado com a noção de ter sido feita justiça e ficado os melhores concorrentes, acordou no dia seguinte com a timorense lá metida outra vez. Também não deixou de ser curioso, que na final muitos gritos se ouviam da plateia para os telespetadores darem o seu voto à portuguesa, mas no final quando se soube da vitória da adversária nem um assobio se ouviu, pudera senão lá se iam os convites para outras fantochadas.
Boas praias são as de Timor.

terça-feira, 15 de março de 2016

Almada na linha da frente das zonas urbanas mais feias

A "lebre"

O "gato"

No que toca à beleza, Almada é uma terra com pouca sorte. Ou por ser vitima do mau gosto dos que a têm governado, ou por corrupção, ou então as duas coisas juntas. Ainda me lembro no tempo da ditadura, de terem autorizado o poder eclesiástico, a estragar um amplo e bonito jardim no centro da cidade (na altura vila), para construir um mamarracho de uma igreja que mais parece um montão de betão. É inimaginável os meses necessários a injetarem tubos para retirar lama do terreno que era um bonito relvado, afim de colocarem os alicerces. Foi neste tempo também que criaram as torres em Cacilhas, escavacando o que seria uma das mais bonitas avenidas deste país, que ficou de um lado com prédios com o dobro da altura dos primeiros que estão no lado oposto. A praça S. João Batista constitui outro caso, ao ser atravancada com um descomunal prédio que esmagou outros mais pequenos, que esperavam a construção de um com a mesma volumetria para fechar o lado direito da praça virada para o rio. A praça do MFA também não escapou à febre imobiliária e além de tirarem o nome de Renovação,meteram-lhe um edifício com o dobro da altura dos já existentes na praça, para rematar o redondo. Julgo mesmo que por talvez não se ter conseguido travar a obra a tempo, que estes dois últimos atentados ambientais, já aconteceram após se ter dado o 25 de abril.
Não deixa de ser curioso o caso de Almada ter sido escolhida para levar com o cimento do monumento ao Cristo Rei, que seria o maior mamarracho sobre Lisboa não fosse o feliz acaso de os pilares de uma das mais bonitas pontes do mundo ter suavizado tamanha aberração, acabando por enquadrar o santuário numa feliz paisagem.
Agora nos nossos dias à pala do metro (MTS), é vendido gato por lebre e temos feito num parque de latas o que seria um aprazível centro, fazendo lembrar o que fizeram outrora à praça do Comércio em Lisboa. As viaturas estão por todo o lado como cogumelos, até mesmo encostadas a bancos de jardim, ficando a praça do MFA mais as ruas Fernão Lopes e Luís de Queiroz horríveis, como sendo um parque de automóveis onde os peões não sabem por onde andar em segurança. Não deixa de ser lamentável os milhões de euros gastos em quatro novos parques de estacionamento, para ninguém ter necessidade de os usar, já que levam o carro para onde lhes apetece. Aliás, o desperdício com que a câmara trata os dinheiros públicos evocando a regulação do trânsito é por demais evidente. O dinheiro não sai do bolso destes responsáveis, sendo as trocas e destrocas dos sentidos de trânsito a consequência de quem não sabe o que anda a fazer. A juntar a isto, ainda temos as presumíveis fontes de uma pedra negra feia, que mais parecem fossos de porcaria, pois a água quase sempre está fechada. Recordando a beleza que era a nossa fonte luminosa e como a praça Gil Vicente agora ficou, dando lugar ao mesmo tipo de “fossos”, é de uma tristeza confrangedora.
Estar de bem com Almada é fugir do seu centro, que deveria ser bonito, a parte nobre, o cartão de visita da cidade e ir para as partes velhas recuperadas, como Almada antiga e Cacilhas. Quem vem de passagem o melhor que tem a fazer, é mais uns quilómetros e dirigir-se a Setúbal, onde todo centro é aprazível com bom gosto, curiosamente o resultado do investimento de uma câmara também CDU.